O Caminho Inverso

10/08/2016 § Deixe um comentário

Essa semana li uma reportagem de certa forma preocupante, mas ao mesmo tempo inquietante. O escritor norte americano Richard Louv escreveu em um livro sobre a geração de hoje e declara que ela é alienada da natureza e isso está trazendo problemas em todas as esferas da humanidade. Pois bem. Eu enxergo exatamente isso na sociedade em que vivemos. Uma alienação à tudo e todos, o individualismo, a procura pelo poder e pelo dinheiro à todo custo, à uma busca incessante pela felicidade plena, mesmo que ela não exista.

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Por um outro lado, vejo um recuo de todo esse pensamento. Mesmo que sejam menos indivíduos pensantes que o façam, existe um crescimento por uma mudança, por uma realidade mais viva, mais cheia de graça, dando assim uma forma muito mais orgânica da nossa vida. Muitos estão se dando conta do que estamos vivendo e sabem que se não fizermos algo agora, o futuro será deprimente, escuro e sem sentido. Os movimentos SLOW (fashion, food, etc) trazem esse novo pensamento: o que estamos fazendo? O que estamos comendo? O que estamos consumindo? Faz sentido tudo isso? Onde chegaremos com o consumo exagerado?

Pois bem. Por mais que muitas pessoas estão se distanciando da real natureza do ser humano e tendo problemas físicos e emocionais, outras estão abraçando o novo mundo. O novo mundo nada mais é do que a desacelaração, a análise de vida, a mudança de comportamento. Aí é que falo do caminho inverso. Estamos indo contra a maré, contra o que nossos avós e nossos pais compactuavam e até hoje acreditam. A busca por uma vida com sentido, mais democrática e livre é o caminho que muitos estão buscando, inclusive quem vos escreve.

O caminho inverso pode ser mais difícil em algumas etapas, a mudança sempre traz muitos questionamentos. Mas algo é certo, faz todo o sentido na vida esse caminho. Enquanto está vivendo ele, essa quebra de paradigmas mostra um futuro muito mais promissor e muito mais livre. Pense nisso: desacelerar, viver com menos, esse é o caminho.

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Bicicleta reciclada

03/02/2012 § 4 Comentários

E o mundo descobriu a bicicleta. Ou melhor, o Brasil. Enquanto que em muitos países já chegaram faz bastante tempo na conclusão que os carros ocupam muito espaço, são caros e transformam o trânsito em algo caótico, o nosso país começou a abrir os olhos para todos os outros meios de transporte que existem. Sou super fã de metrô e sei que vai levar um bom tempo até que eu more em um lugar que não necessite de carro para transporte. E a bicicleta? Ora, acho bacanérrimo, mas andar no meio de carros desgovernados não é o meu chão. Em uma ciclovia sim, ou com motoristas conscientes a coisa muda de figura. Acredito que estamos nos encaminhando para isso.

Outro dia fui no supermercado e tinha zilhões de bicicletas à venda. O preço me assustou. Bicicletas lindas, estilosas e muito caras. Como não sou esportista, não necessito de uma que custe tantos zeros na minha conta. Então, quando vi essa bicicleta em particular amei! Que tal, uma bicicleta de criação totalmente brasileira feita de material reciclado? O quadro (peça que fica entre as rodas) é feito com garrafas pet, embalagens de shampoo e peças de geladeira! Esse processo leva 2 minutos e utiliza duzentas garrafas pet.

A bicicleta foi desenvolvida pelo artista plástico Juan Muzzi. Segundo o criador: “a bicicleta é mais resistente, flexível e barata porque o plástico não enferruja e a fabricação transforma resíduos em um novo produto”. E o mais bacana: a bicicleta (pelo que entendi o quadro) chamada de Muzzi Cycles custa R$250,00 e o restante é só customizar!

O site: Muzzi Cycles.

Enquanto isso, em uma ilha da Dinamarca

01/02/2012 § Deixe um comentário

Enquanto muitas pessoas discutem em todos os cantos desse Brasil qual deveria ser a energia de tal lugar, o que seria, o que não seria, a Dinamarca dá show. Em uma ilha do país, Samso, com 4 mil habitantes, produz 100% da energia que consome com fontes renováveis.

Olha que bacanésimo: de cada 10 casas da ilha, 07 usam energia eólica ou solar para produção de energia. E de toda essa energia, o excedente é repassado para diversos meios, como exportação por meio de cabos submarinos para o continente. O lucro dessa energia limpa, mais ou menos 80 milhões de reais por ano,  é investido em obras sociais. E tudo isso começou com um concurso do Ministério de Ambiente e Energia da Dinamarca. Samso ganhou em 1997 e recebeu mais tarde financiamento para o projeto e assim foram instaladas 21 turbinas eólicas em terra e em alto mar.

Não tem jeito, os países escandivanos nos dão um tapa com luva de pelica na sua atitude com o meio ambiente. Tiro o chapéu. Muitas vezes. Será que é tão difícil analisar e vermos um pouco mais à frente, um pouco além dos nossos narizes o futuro maravilhoso que deixamos de lado devido a ignorância e principalmente a ganância do ser humano??

Quer ler mais? No site da Super tem. Foto sxc.

Lâmpadas Fluorescentes

28/09/2010 § 9 Comentários

Desde que as lâmpadas econômicas (Fluorescentes) apareceram, sempre fui super à favor (mesmo sabendo que o descarte deveria ser em locais especializados, por ter mercúrio no seu interior – ou seja, tóxico), já que elas baixam o consumo de energia (nosso bolso agradece) e ainda favorecemos por um lado o meio ambiente. Favorecemos devido ao consumo de eletricidade advindo de usinas hidrelétricas, que por sua vez emitem elevados níveis de gases de efeito estufa (metano) e são super danosos ao meio ambiente.

Até aí é o que eu falava sempre. Pois bem. Faz algum tempo que ouvi algumas pessoas falando que elas não são tão boas assim, que são danosas ao meio ambiente e à saúde nossa, já que as lâmpadas emitem raios ultravioleta. Nesse meio tempo fiquei atucanada, já que minhas lâmpadas aqui de casa são fluorescentes e sempre encorajei a trocar lâmpadas incandescentes para fluorescente. Fui atrás, li várias reportagens, mas nenhuma mostrava com seriedade a questão, ou eram sempre tendenciosas.

Ontem achei no site da revista vida simples uma pequena reportagem sobre o assunto. E realmente a reportagem mostra que as lâmpadas são danosas à saúde, mas de uma forma um pouco diferente do que ouvi. Replico a reportagem:

A lâmpada fluorescente (também conhecida como luz fria) emite uma quantidade de raios ultravioleta tão pequena que não faz mal às pessoas em condições normais de saúde. Pode ser prejudicial apenas àqueles que têm hipersensibilidade a esses raios ou possuem alguma doença fotossensível. Elas funcionam da seguinte maneira: a corrente elétrica entra em contato com vapor de mercúrio e produz radiação ultravioleta, que é transformada em luz branca quando entra em choque com as partículas de fósforo presentes na lâmpada. “O problema é que há sempre uma quantidade de raios ultravioleta que não é processada dentro da lâmpada e se espalha no ambiente”, afirma Elvo Calixto Burini Jr., pesquisador do Instituto de Eletrotécnica da Universidade de São Paulo. Já as lâmpadas incandescentes, de “luz amarela”, iluminam quando a corrente elétrica aquece o fio de tungstênio (sem liberar raios ultravioleta). A lâmpada fluorescente é mais cara, mas gasta menos energia. “Para amenizar os efeitos da lâmpada, recomenda-se a utilização de um lustre, já que a lâmina de vidro é suficiente para filtrar os raios ultravioleta. Outra opção é utilizar um bom filtro solar”, explica Eduard René Brechtbuhl, do Departamento de Oncologia Cutânea do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Ou seja, se és hipersensível aos raios, melhor passar filtro. E sempre colocar um lustre, já que mostram que é o suficiente para filtrar esses raios. Pelo menos é o que sabemos até agora, porque vamos ser sinceros: todos os dias ouvimos algo diferente, sempre existem verdades escondidas e cheguei a conclusão que nem sempre saberemos de fato sobre o que faz mal ou faz bem. O que sabemos é que a melhor lâmpada seria de LED, só que falando bem de pertinho: é super caro.

E se essa lâmpada fluorescente quebrar? Pois bem, como elas contém mercúrio, são sim bem tóxicas.  Li em um site gringo os conselhos da Agência do Ambiente Britânica (através da BBC):

1. abra a janela e abandone o local pelo menos 15 minutos;

2. não use o aspirador, mas uma vassoura, com cuidado para não inalar as poeiras;

3. use luvas de borracha;

4. deite os restos num saco de plástico e feche-o bem;

5. leve a um local próprio para a sua deposição: informe-se onde existe coleta seletiva para essas lâmpadas. NÃO deixe no lixo comum.

O verdadeiro plástico

21/09/2010 § 9 Comentários

Tenho muitas reticências com o plástico. Principalmente com plástico sendo utilizado na cozinha. São potes, copos, talheres, mais potes, embalagens de alimentos, bombonas d’água, PETs, e por aí vai. Faz já algum tempo que aqui em casa estamos trocando todos os potes de plástico para armazenar alimentos por potes de vidro. Custam um tiquinho a mais e sua vida útil é enorme. Desses potes falo dos tipo tupperware, com tampa, que servem para marmitas, guardar restos de alimentos, etc. Também compramos muitos alimentos à granel, como arroz, proteína de soja, cacau, e logo que chego das compras coloco esses alimentos diretamente em potes. Achei uns potes lindos de vidro reciclado na Tok & Stok e adoro, custam uns R$11,00. Para água mineral já trocamos as bombonas por filtro, colocamos diretamente no bico da torneira d’água e deixamos assim a água mais limpa e sem contato com plásticos do tipo PET.

Mas porque estou falando disso? Essa só foi uma introdução do que fazemos aqui. Agora o porque: o plástico tem um aditivo polimérico chamado Bisfenol A. Recebi um email de uma amiga, que é engenheira química e estuda os materiais à fundo, sobre uma nota na revista Pesquisa Ciência e Tecnologia da FAPESP de julho de 2010. Vou colocar na íntegra o texto:

Muitos estudos já detectaram que a água vendida em garrafas de plástico PET contém a substância bisfenol A, uma molécula que se encaixa nos receptores de hormônios femininos e altera o funcionamento hormonal tanto nas mulheres como nos homens. Uma equipe japonesa liderada pelo químico Yasuyuki Shimohigashi, da Universidade Kyushu, agora descobriu um bisfenol A enriquecido em flúor: o bisfenol AF. Em artigo publicado na Environmental Health Perspectives, o grupo demonstra que o bisfenol AF tem uma afinidade por dois tipos de receptores relacionados ao estrogênio – o alfa e o beta -, respectivamente 20 vezes e 50 vezes mais forte que o primo bisfenol A. A molécula ativa o primeiro receptor como se fosse o próprio hormônio feminino e bloqueia o segundo, impedindo a ação hormonal. O resultado é um desequilíbrio que pode contribuir para o surgimento de cânceres reprodutivos. Não há uma estimativa do nível de exposição a que estão sujeitos os usuários de água engarrafada em plástico.

E isso não é somente em PETs, mas também em qualquer plástico, já que o Bisfenol A vai no plástico e ” não é ligado quimicamente ao material e aí que ele vai se despreendendo do produto desde a sua fabricação até todo ciclo de vida útil do produto e vai junto da comida, da água e pior ainda quando a gente resolve guardar comida quente em embalagens plásticas, porque o calor acelera esse despreendimento de Bisfenol A (dependendo do plástico pode ser outros aditivos, um outro exemplo é o ftalato)”,  de acordo com Camila Bianco, a engenheira que enviou este email.

Agora me digam, não é preocupante? Por isso sempre digo, sustentabilidade também é saúde, qualidade de vida. Ok, vidros podem ser mais caros que plásticos, mas pense em comprar mais produtos à granel, consumir menos produtos que estejam em plásticos. Qualidade de vida gente, à longo prazo a gente recebe a conta. Vocês sabem do que eu estou falando, certo?

Imagem acima fazendo alusão ao clássico copinho de plástico. Mas nesse caso é de vidro.


Faça algo

02/07/2010 § 2 Comentários

Ontem acabei tomando banho de caneca novamente. Queimou a resistência do chuveiro e esquecemos de comprar, então só me restou o clássico banho com o balde e caneca. Nunca pensei que em pleno inverno aguentaria, mas como tem um calorzinho por essas bandas, foi tudo de bom. E falando em banho de caneca, ontem estava lendo uma revista e vi um anúncio do festival SWU Music Arts. O Festival não é o que me chamou a atenção, mas os dados que apresentava para salvar o planeta. Principalmente sobre um assunto: água. Vou reproduzir aqui, já que números mostram mais do que tudo:

1. Feche a torneira ao escovar os dentes e economize 34,5 Litros de água por dia. (Fonte: Sabesp)

2. Compre menos comida. 1/3 de tudo que você compra vai para o lixo. (Fonte: Instituto Akatu)

3. Não jogue óleo de cozinha na pia. 1 Litro de óleo polui mais de 25mil Litros de água. (Fonte: Sabesp)

4. Apertando a descarga uma vez a menos por dia, você economiza até 14 Litros de água. (Fonte: Sabesp)

5. Reduza o tempo no chuveiro: 5 minutos a menos já economizam 45 Litros a cada banho tomado. (Fonte: Sabesp)

6. Lave o carro uma vez por mês e economize 530 Litros de água. (Fonte: Sabesp)

7. Apague a luz. Energia desperdiçada gera um gasto de R$3,3Bi por ano no Brasil. (Fonte: WWR)

8. Trabalhe em casa. Economize de 16 a 23 kilowatts/hora de eletricidade e 5,2 Litros de gasolina por dia. (Fonte: Cea)

9. Use a bicicleta uma vez por semana. Se 20 pessoas em cada Estado fizerem isso, serão 104 Toneladas de CO2 a menos no ar por ano. (Fonte: Instituto Akatu)

Sério, repense um pouco nas suas atitudes. São pequeníssimas atitudes que podem sim mudar bastante o panorama geral do nosso futuro. Lembrem também, fazer xixi no banho (como já falei neste post) é uma forma hiper consciente de ajudar e não faz mal para o organismo!!!!! A urina é composta de 95% de água e 5% de uréia, sal e outras substâncias, e a água do banho leva tudo embora.

Dia Mundial do Meio Ambiente (05.06.10)

07/06/2010 § Deixe um comentário

Ano passado, enquanto ainda morávamos em Porto Alegre, tomamos banho durante uns dois meses de balde. Havia queimado a resistência do nosso chuveiro e no primeiro dia, sem ter tempo de ir até a loja, esquentei uma água e coloquei em um balde e tomei banho assim. Quando vi, tinha realmente gostado da ideia (não era frio em Poa, só para constar) e quase até nos mudarmos, tomávamos banho dessa forma.

Você sabia que, com apenas um balde, podemos tomar banho? Claro, tenho cabelo curto e isso encurta o processo, mas fiquei admirada como gastamos água. Demais. Hoje, tomando banho, um banho quente, super bom, daqueles que esquenta a alma, lembrei do ano passado. Com certeza gastei mais do que dois baldes de água. Aí que lembro de como, em algum tempo passado, precisávamos de muito menos para viver, menos coisas, menos alimentos, menos porcarias, menos água. Parece que com o tempo complicamos tudo. E agora, como descomplicar, se estamos no meio disso tudo?

Sábado foi o dia mundial do meio ambiente. Sábado aqui fez um sol lindo, de tirar o fôlego. Gostaria de continuar tendo esses dias lindos, mas aqui na ilha chove cada vez mais. E está sendo assim faz algum tempo. Casas são destruidas pela força do mar (como certamente pode-se ver nos jornais), onde não poderiam construir casas o fazem, depois querem que sintamos pena dessas pessoas. Empresas destroem o meio ambiente em prol do faturamento. Queremos ter e ter cada vez mais coisas, mesmo que não tenhamos certeza porque queremos tanto.

É difícil dosar o equilíbrio, é difícil querer uma sustentabilidade onde o que se pensa é lucro, felicidade individual. Mas não perco a esperança. Quem sabe não tomo banho de balde, gasto mais água do que necessário, mas tento fazer minha parte em processos que posso ajudar.

E você? O que pensa disso tudo?

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