Alimento

23/08/2016 § 5 Comentários


Canteiro_maior#2Olá pessoal, tudo na paz?! Espero que sim!!

Hoje saiu uma reportagem no site da BBC Brasil “Epidemia de câncer?” que mostra uma triste realidade nossa, o abuso de agrotóxicos. O Brasil é o país que mais utiliza agrotóxico no mundo. SIM! É um saco isso, pois estamos falando de alimento!! Não estamos falando de carros de luxo ou caviar, onde uma minoria tem acesso. Estamos falando do alimento de todo o dia, aquele que mata a fome de milhares de pessoas!! Aquela comidinha que é muito complicado de evitar e tu não espera que ela seja um poço de veneno. Mas pelo visto não é só a fome que a comida mata atualmente!

Essa equação é muito complicada de ser solucionada, pois abraçamos a Monsanto de tal forma que eles estão arraigados em nossos solos que não será fácil se ver livre deles. Até bem pouco tempo a indústria de alimento que utilizasse qualquer item com organismos modificados geneticamente deveriam trazer em seus rótulos o símbolo de Transgênico. O lobby foi tão grande que hoje não é mais necessário informar sobre a presença de transgênicos nos rótulos, um retrocesso que eu não me conformo e as pessoas não deveriam se conformar também! Mas como a nossa mídia é uma beleza e não é nem um  pouco isenta, a desinformação das pessoas é algo estrondoso.

Assistindo ao documentário “GMO OMG”, eles comentam que os produtores que comprarem as sementes da Mão-Santa, ficam obrigados a utilizar os agrotóxicos da empresa. Então o furo é muito mais embaixo! E claro, como mostra na reportagem da BBC Brasil, a Mão-Santa fica divulgando dados imprecisos e jogando com as pessoas. Mas o fato é, existe uma epidemia de Câncer em cidades produtoras rurais e que abusam dos agrotóxicos. A própria Anvisa liberou uma lista com os principais alimentos com contaminação por agrotóxico, vocês podem acessar o link AQUI.

A indústria mudou muito nas últimas décadas, tornando grandes conglomerados onipresentes. Todo conglomerado tem o seu grupo de acionistas, que nada mais são do que uma espécie de sanguessugas, onde sugam o lucro da empresa. Caso o corpo de diretores não funcione como o esperado, ter os famosos superávits trimestrais parrudos (sim, o lucro não é mais anual e sim, trimestral), os acionistas se reúnem e trocam o CEO, Presidente ou seja quem for! Obviamente a galera nova fará tudo como manda o figurino escolhido pelos acionistas. Assim, vemos essas notícias serem cada vez mais frequentes, como as epidemias de câncer, desmatamento, mudança climática, poluição de rios e por aí vai. Estas empresas investem pesado em marketing e lobby para que os tomadores de decisão façam o que querem e nisso, foda-se a população, foda-se o ambiente. Sério!!!

Frente à toda essa loucura, eu e a Kelly temos tomados decisões baseadas em nossa saúde, bem estar e ideologia de vida. Com o passar dos anos mudamos muito a nossa forma de nos relacionarmos com a comida. Nós fazemos tudo, ou melhor, quase tudo!! Desde o pão e bolo de todo o dia até a massa da pizza. Ainda não estou fazendo espaguete, mas logo logo quem sabe não começamos?! A nossa mudança teve vários fatores, os dois principais foram os agentes da mudança: primeiro porque tudo é caro e segundo, porque não sabemos a procedência das coisas. E nessa vibe de fazer tudo em casa descobrimos que nós economizamos muito mais com comida!! Como somos vegetarianos, o gasto com alimento cai absurdamente, pois o preço da carne é um horror (isso que os caras metem porcaria pros bichos crescerem mais rápido e confinam cada vez mais animais por metro quadrado para aumentar a produtividade)! Por isso eu não entendo o preço da proteína animal ser tão elevada. Gente, não somos ricos, estamos longe disso, mas somos organizados e seguimos o nosso plano à risca, então assim podemos comprar várias coisas orgânicas e usufruir desses alimentos. Quando não compramos orgânicos, vamos em feiras de produtores locais ou próximos da região, onde o alimento tende de melhor qualidade.

Mas uma das coisas que realmente mudou em nossas vidas atualmente foi a possibilidade de termos a nossa horta!! Vejam nossos brócolis e couve-flor crescendo! Galera, leiam sobre o movimento slow food. Vamos ficar atentos, não precisamos correr tanto. Repensem em suas atitudes, sim elas terão impacto em vossas vidas. Não adianta pensar como se não houvesse amanhã, pois provavelmente o amanhã não será animador e ele estará lá te cobrando, então vamos refletir de como andam as coisas em nosso mundo. Não é fácil, eu sei! Estamos nessa jornada à 12 anos e o mais lindo, é que estamos sempre aprendendo e nos transformando! Ah, pode-se mesclar as coisas, não precisa ser 100% orgânico, mas tentem mudar naquele produto que vocês mais utilizam em vosso dia. Vejam se dá pra fazer a comida em casa, nem que seja duas vezes por semana, já é melhor garanto! O fato é, as coisas não mudam se nós não nos esforçarmos. Acreditamos em tanta bobagem e dito popular, que no fim as pessoas podem levar uma vida completamente diferente daquela que elas haviam pensando. Vamos lá, vamos pegar a porra das rédeas e vamos ter o controle de nossa rotina! Esqueçam controle total!! nunca teremos o controle total isso é fato, mas devemos controlar aquilo que é o mais importante, a alimentação! Afinal, somos o que comemos!

 

joao_vi

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§ 5 Respostas para Alimento

  • Paulo Andrade disse:

    João, o uso de agrotóxicos, aqui ou em qualquer outro país, é preocupante. Mas a quantidade usada não reflete, de jeito nenhum, o que chega a nós no alimento. O Brasil usa muito agrotóxico, mas não porque usa errado sempre (há mau uso, mas não é generalizado), e sim porque tem uma imensa área plantada e um clima tropical que facilita as pragas de todo tipo. Além disso, empregamos mecanização no campo, que requer agroquímicos no lugar de enxada.
    Seja como for, a ANVISA e outros órgãos estudaram onde estão os agrotóxicos no nosso alimento e não tem nada a ver com Monsanto, transgênicos e estas coisas: eles são geralmente inseticidas e fungicidas que são aplicados nas lavouras dos pequenos agricultores e da agricultura familiar. Como o nível de instrução destes agricultores é muito baixo, eles aplicam errado e o agrotóxico acaba chegando à nossa mesa. Os pimentões, tomates, morangos, e um mundo de outras coisas que nada tem a ver com as grandes empresas está cheio de agrotóxicos.
    Como se resolve isso? Sinceramente, não sei. Mas o diálogo tem que ser franco: não é jogando pedra no agronegócio que vamos resolver. Também não é punindo e demonizando o pequeno agricultor. Precisamos uma solução discutida de forma sincera, sem ideologias, para resolver a questão. Enquanto isso, ao menos sabemos que o número de intoxicações alimentares notificadas anualmente por agrotóxicos é reduzidíssimo (menos de 15 por ano). Ainda que a notificação fosse de 100X, o número de casos seria muito menor do que o de contaminações com bactérias perigosas na alimentação com orgânicos. Serenidade e conhecimento também fazem parte de uma vida saudável…
    Um abraço grande
    Paulo Andrade

    • Joao Luis disse:

      Olá Paulo, tudo bem? Concordo em partes com o que dizes. Infelizmente o nosso país é deficitário em educação e muito é repetido de pai pra filho ou é feito da forma como a maioria faz, só que a prática é feita de maneira errada, sendo replicada uma forma de agricultura que esgota o solo, polui rios, solos e mares, seca nascentes, desviam os cursos dágua e por aí vai. Mas essas características não são inerentes apenas aos pequenos. Mas é uma prática disseminada em nosso solo.
      Não sei se tu leste a reportagem do link que eu marquei, da BBC Brasil, mas a reportagem é à respeito de epidemia de câncer em locais onde há a profusão no uso de agrotóxicos, muitos deles proibidos em outros países, mas que aqui é muito comum o uso. Tanto que um dos agricultores que eles citam na reportagem não utiliza veneno em sua plantação, mas o uso de aviões para a aplicação nas lavouras vizinhas faz com os ambientes no entorno sejam contaminados.
      Infelizmente, a Monsanto é sim responsável por muito do que é consumido de agrotóxico. Ela faz lobby muito forte para que os tomadores de decisão aceitem ou rejeitem leis ao critério da empresa. Eu não estou demonizando o agronegócio, apenas estou relatando algo que tem saído na mídia, em centros de pesquisa e inclusive documentários. Em um desses documentários “GMO OMG” (sobre transgênicos) é mostrado um centro de pesquisa agrário nos EUA que estudam à mais de 30 anos formas de agricultura orgânica em larga escala. Os caras tem muita informação e são categóricos, é viável sim a produção orgânica para a população. Mas como eu disse antes, empresas como a Monsanto fazem um lobby muito forte para que essas práticas não sejam levadas ao grande público. Outra, sou radicalmente contra qualquer empresa que detenha o monopólio de sementes e é isso que a Monsanto faz. Eles modificam suas sementes, mas as plantas não são estéreis, produzindo pólen que é levado pelo vento. Ao entrar em contato com as plantas sem o gene modificado, ocorre o cruzamento entre a planta sem com a que possui o gene patenteado pela empresa, assim esse gene é incorporado pela planta. O que acontece com isso? A Monsanto realiza testes nas plantações livres de transgênicos próximas as lavouras das culturas modificadas e ao encontrarem o gene, passam a cobrar desses produtores que não utilizam as sementes da empresa. Não sei se isso ocorre ou já ocorreu no Brasil, mas nos EUA, Índia e outros países é prática comum ou foi até pouco tempo. Tu acha certo isso!?
      Outra, não estou inventando história porque sou de esquerda e odeia as empresas, nada disso! Apenas tenho conhecimento, tanto da literatura, quanto das aulas e palestras em que assisti durante o meu doutorado em ecologia na UFRGS. Não é possível que todos os professores estivessem errados. Não é possível que meus colegas estudando o solos em plantações de transgênico estivessem mentindo. Fora uma série de documentários alertando para o aumento de doenças provocadas pelo uso de alimentos com organismos modificados. Eu também não sou contra a manipulação de genes entre espécies não aparentadas, acho que podemos desenvolver formas muito mais sofisticadas de agricultura que beneficiarão a população, mas da forma como é feita hoje, eu sou contra!
      Não quero catequizá-lo, apenas estou contrapondo com argumentos. Existem pessoas que são a favor desta prática, mas isso não faz com que não seja prejudicial a saúde ou ao ambiente.
      Abraço e fique em paz, João

      • Paulo Andrade disse:

        João, bom dia.
        Li a reportagem da BBC, que se parece com outras da mesma empresa e que segue um raciocínio aparentemente lógico: onde tem agrotóxicos, os problemas de saúde derivam deles. Acontece que a carcinogênese é um processo muito complexo e que existe uma enorme variedade de câncer, com diferentes origens. É irresponsável e anti-científico atribuir a uma única causa (os agrotóxicos) uma incidência maior de câncer (será mesmo?) numa dada região. Isso cria uma ansiedade e uma expectativa sem qualquer base epidemiológica séria. Não estou dizendo que não pode ser verdade: afinal, há pelo menos 50 diferentes tipos de agrotóxicos aplicados no campo – e só um tem ligação histórica com a Monsanto – e sabemos que alguns deles, se aplicados erroneamente, podem ser muito perigosos. Mas uma demonstração de que, de fato, há um aumento de casos de câncer ligado ao uso de agrotóxicos e, depois, de qual deles está envolvido nesse aumento, são coisas muito importantes antes que se dispare um alarme que só leva à histeria.

        Quanto aos orgânicos e transgênicos, acho que há lugar para os dois: o consumidor que prefere os orgânicos deve ter sua demanda atendida. Já os demais, que não se importam, devem ter o direito de comprar um produto mais barato e que, ao menos no olhar das autoridades brasileiras (CTNBio, MAPA e ANVISA) é tão seguro quanto o produto convencional. Pode-se argumentar que, se todos os agricultores plantassem orgânicos, seus produtos seriam tão baratos quanto os da agricultura convencional – transgênica ou não. Acontece que isso nunca se verificou em nenhum lugar do mundo: os orgânicos são sempre muito mais caros. Por isso, num país pobre, é insensato imaginar que poderíamos abandonar a agricultura convencional.

        Em relação ao fluxo gênico entre transgênicos e não transgênicos, ele ocorre exatamente como ocorre entre qualquer outra variedade. Os agricultores sabem muito bem preservar suas variedades quando são de cruzamento aberto, como o milho: faz-se isolamento no espaço (cultivo de plantas para sementes longe das variedades com as quais não se quer cruzamento) ou temporal (plantio numa época distinta da safra principal). Isso sempre foi feito pelos pequenos agricultores que não desejam comprar sementes (para milho há mais de 200 fornecedores, com variedades convencionais, transgênicas e até crioulas, na verdade ninguém tem monopólio, mas alguns têm a preferência do cliente, que é algo comum num mercado livre) e está bem regulado pelo MAPA quando se trata de produção de sementes para venda.

        Já a Monsanto de fato estimula o uso de um herbicida, o glifosato, quando comercializa sementes transgênicas. Ela também produz este herbicida, mas a patente caiu faz muitos anos e há dezenas de fornecedores. Outros transgênicos pedem a aplicação de outros herbicidas, que não são da Monsanto e também são muito usados. Então, indiretamente, as 6 grandes empresas de fato estimulam o uso de herbicidas através da venda de sementes de plantas tolerantes a eles. Mas quando se olha o imenso conjunto de agrotóxicos empregados na lavoura e na pecuária, vemos que os herbicidas são apenas uma parte, não são a maioria. Além disso, mesmo os herbicidas são empregados num mundo de aplicações que nada tem a ver com transgênicos nem muito menos com a Monsanto. Por exemplo, são usados como dissecantes pré-plantio numa variedade enorme de lavouras e como rocio químico numa variedade ainda maior de aplicações. Por outro lado, inseticidas tem pouca aplicação nas lavouras transgênicas resistentes a insetos, mas são os mais perigosos e que mais geram casos de intoxicação humana e animal, e são empregados em tudo que é lugar, inclusive como saneantes domiciliares e na pecuária. E, mais uma vez, a Monsanto nada tem a ver com isso.

        Não acho que você esteja inventando histórias, suas fontes são talvez diversas das minhas e isso faz toda a diferença. Não sei de fato quem está certo, é difícil dizer. Uso em geral os artigos científicos e as avaliações de risco dos órgãos de governo (EFSA, 0GTR, CTNBio, FDA, APHIS, etc.) como fonte de informação. Também acho válidas as sinopses feitas pelas academias de ciência. Dos documentários que andam na internet tomo apenas os alertas (o que chamo de perigos) que eles elencam, mas depois estes perigos passam pelo crivo da minha avaliação de risco e aí a maioria não se sustenta. Posso estar errado, a avaliação de risco é uma ciência que envolve probabilidade e isso sempre deixa a porta aberta ao erro, não é como a matemática, infelizmente.

        Quanto a estarem errados os professores (os seus, os meus, meus colegas e eu mesmo), devo dizer que pode acontecer. Como professor de genética numa universidade pública há mais de 30 anos eu vejo que algumas vezes julguei apressadamente um assunto ou um experimento, outras vezes me flagrei com um viés ideológico, e assim sei que apenas aquilo que é consenso (não precisa ser unanimidade, apenas consenso) muito provavelmente está certo. O consenso é estabelecido pela comunidade científica através de dezenas de experimentos e observações que vão se sobrepondo e se corroborando mutuamente. O quadro final é o consenso. Os experimentos que contradizem este quadro precisam estar muito bem embasados no método científico (não é o caso da imensa maioria dos que mostram problemas com os transgênicos, inclusive os famosos do Séralini…talvez os de alguns professores nossos…) e, uma vez apoiados por outros, acabarão por mudar o consenso. Assim funciona a ciência e assim também minha cabeça. Posso ser considerado quadrado e medroso, covarde, etc., mas se fugir desta forma de agir, deixo de obedecer ao método científico e não posso mais contribuir como pesquisador nem como docente, ao menos na minha área. Enfim, o consenso no caso dos transgênicos é que eles não fazem mais mal ao ambiente e à saúde do que os convencionais cultivados/produzidos em iguais condições).

        Também não quero catequizá-lo, mas manter uma discussão de bom nível, que é rara na internet. A discussão visa apenas mostrar que alguns pontos que lhe parecem claros talvez não sejam, porque podem ter outras interpretações e complementos de informação derivados de fontes que você não costuma consultar e que contradizem em parte ou no todo suas afirmações. Depois de 20 anos de consumo e plantio de variedades transgênicas não se vê uma mortandade generalizada nem doenças que possam ser imputadas a estas plantas. Além disso, muitas das questões de impacto ambiental, inicialmente levantadas, mostraram-se vazias e mesmo a questão da preservação de variedades crioulas e outros paradigmas da agrobiodiversidade nada têm a ver com os transgênicos e precisam soluções baseadas na agronomia e na genética para permitir a manutenção da diversidade in situ. Evidentemente, o CENARGEN, no Brasil, e instituições semelhantes em outras partes do Mundo, são os guardiões da agrobiodiversidade in vitro, nos bancos de germoplasma, que é a forma mais segura de se garantir que não se perca a variedade de sementes.

        Abordando um último tema antes de me despedir: por que será que os agricultores compram sementes, se podem plantar seus grãos? Será que esta forma de iniciar um plantio é exclusiva da agricultura transgênica? Tome como exemplo um cultivo comum no RS, o arroz, que nãoo é transgênico: porque será que os agricultores compram sementes dos fornecedores (e os governos do RS e SC estão entre os melhores fornecedores) ao invés de plantar diretamente os grãos colhidos das panículas? Se as sementes de arroz não forem híbridas (como, frequentemente, as de milho), elas não segregam. Então, qual a necessidade de comprar sementes? Medite sobre isso, estenda o raciocínio para o milho, a soja, o feijão, a melancia, o tomate, e talvez você chegue à conclusão de que comprar sementes não é uma imposição da Monsanto (ou de qualquer produtor de sementes), mas que atende uma imperiosa necessidade agronômica num mercado muito competitivo.

        Um abraço grande aqui do tórrido sertão nordestino.
        Paulo

  • Joao Luis disse:

    Olá Paulo, tudo na paz?
    Gostei muito dos argumentos que tu colocaste, alguns eu não tinha conhecimento. Acho muito bacana essa troca de ideias. É complexa essa discussão com muitas variáveis, mas eu tenho medo do rumo que as coisas estão indo, sério mesmo, eu acredito que existe um exagero no agronegócio e muitas vezes é difícil de mostrar esses exageros de forma clara e objetiva. Claro, o pequeno agricultor também tem a sua parcela de culpa, como tu disseste lá em cima no primeiro comentário. No fim, também acho que existe um exagero no preço dos orgânicos e um elitismo muito alto. Por isso um dos meus objetivos no blog é mostrar que é possível ter uma hortinha em um espaço reduzido mesmo que seja pouca coisa plantada. É uma iniciativa, por mais simbólica que seja, para tentarmos resgatar um pouco da nossa história com a terra. Tento levantar questionamentos se é necessário todo esse circo da indústria. Eu sei que temos ganhos muito grande com a industrialização, isso é indiscutível, mas acho que estamos em um ponto onde a curva de ganho para a população chegou no seu limite. Algo precisa mudar na forma como a indústria atua. Mande um calor para nós aqui, estou cansado do frio.
    Abraço, João

  • Paulo Andrade disse:

    João, acho que você tem razão quando diz que há um exagero do agronegócio, mas não podemos mudar o agronegócio num país de economia livre, precisamos criar alternativas atraentes para o agricultor: devíamos estimular outras formas de produção que empoderassem nossos pequenos agricultores, porque o campo se esvazia e a propriedade de solo vai se concentrando ainda mais na mão de uns poucos. Os programas de governo para outras formas de agricultura, entretanto, esbarram em dois elementos importante: a ignorância de uma imensa maioria de nossos agricultores e a inexistência de um programa sistemático de extensão rural, que foi desmantelado pelo Collor e jamais reconstruído à altura que o país merece. As tentativas sérias são tímidas e a barulheira do MDA, do MST, da ASPTA e de outros órgãos, ongs e movimentos não leva a nada em escala nacional porque esbarra nos dois pontos que comentei acima. Onde pode dar certo uma alternativa de agricultura, baseada em boa tecnologia e com uma cadeia produtiva muito bem estabelecida, é aí no Sul: muitos pequenos produtores, clima e solo satisfatórios, nível de instrução aceitável, tradição em cooperativismo, etc. Falta tudo isso, ou boa parte, no resto do país. E sobra carnaval de ativistas de todas as cores. Coitados de nossos agricultores…
    Como reverter isso? Leva ao menos duas gerações porque passa pela educação. Tinha muita esperança quando o PT assumiu a presidência, mas três governos deste partido sucatearam a educação básica: o descalabro das escolas públicas é uma vergonha total e assim o país não sai do buraco nunca. A educação rural, então, nem se fala: as escolas são estrebarias adaptadas, onde falta tudo e onde os professores não têm em geral a formação necessária nem o apoio para repassar o conhecimento. A única coisa que ajuda é que há mais respeito na escola de roça, porque na cidade a baderna é completa. Então, pode ser que tome mais que duas gerações para reverter o analfabetismo funcional dos brasileiros… enquanto isso não acontecer, a pequena agricultura e qualquer outra atividade que dependa diretamente das classes C, D e E (como a pesca, por exemplo) não servirão nem para a subsistência, salvo as exceções que são alardeadas nos jornais.
    Enquanto isso, podemos fazer timidamente nossa parte: ter nossa horta, comprar de quem achamos que nos fornece produtos de qualidade. Não podemos pretender que todos façam isso, porque não há espaço para plantios nem dinheiro para comprar os melhores alimentos. Mas podemos fazer nós mesmos.
    Ao mesmo tempo, temos que entender que uma parte imensa da população não pode seguir o caminho do consumo de orgânicos e das roças domésticas, mas também não está se matando consumindo o que a agroindústria produz. Afinal, aqui como no resto do Mundo, os alimentos industrializados e a forma intensiva de agricultura são a regra, e não a exceção. Onde, ao contrário, não existe agroindústria, a população costuma passar fome periodicamente, ao saber de safras ruins, pragas, guerras, etc… Ficar batendo na tecla de que está todo mundo se envenenando não é científico nem contribui para dar tranquilidade, esperança nem opções para o brasileiro em geral e para o agricultor em particular.
    Por fim, temos que entender que o agronegócio traz divisas para o país: foi o que trouxe capital para o Brasil nos últimos 3 anos, apesar da crise. Este dinheiro, se não é roubado lá em Brasília, sustenta nosso país, inclusive nossos programas sociais.
    A minha conclusão pode estar errada, mas vai aí: se amanhã dermos uma guinada para o lado da Bolívia e proibirmos o agronegócio, o país mergulha na miséria e com ela volta a fome, que hoje é um problema menor aqui. Não adianta dizer que há métodos de produção orgânicos ou convencionais que poderiam produzir tanto ou mais do que o agronegócio: na ponta do lápis ninguém provou isso e nenhum país com dimensões razoáveis e que dependa de sua agricultura para alimentar o seu povo pratica agricultura orgânica apenas. Os grandes exportadores de alimentos, aliás, todos produzem transgênicos… e seguirão assim porque a tecnologia traz vantagens ao agricultor.
    Um abraço grande.
    Paulo

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